NOVA ORDEM – Acordo com Mercosul é estratégico para UE, diz ex-ministro português

Depois de mais de duas décadas de negociações, a União Europeia aprovou, nesta sexta-feira (9/1), o acordo comercial com o Mercosul, criando o que será o maior espaço de livre comércio do mundo.

Para o ex-ministro de Assuntos Parlamentares de Portugal, Miguel Relvas, a aprovação do acordo não é apenas uma opção econômica, mas uma necessidade imposta pelo contexto internacional. Segundo ele, a Europa se vê condicionada pela política comercial dos Estados Unidos, especialmente pelo uso de tarifas como instrumento geopolítico.

Marcos Oliveira/Agência SenadoMiguel Relvas, político português

Acordo entre UE e Mercosul é estratégico no atual contexto global, diz Relvas

“Estamos a falar de um acordo histórico para a Europa. Não o fazemos voluntariamente, fazemos porque nos sentimos condicionados pela política americana, pelas tarifas e pela geopolítica”, afirmou em entrevista ao portal português 24 Horas.

Para Relvas, a consolidação de novos mercados tornou-se essencial para garantir crescimento econômico e competitividade ao bloco europeu.

Ele disse que o acordo vai influenciar diretamente a economia portuguesa, sobretudo nos setores de alimentação e tecnologia. Segundo ele, produtos como vinho, azeite e queijos devem se beneficiar da ampliação do acesso aos mercados sul-americanos.

Alteração estrutural

Na avaliação do ex-ministro, o acordo representa uma mudança estrutural na política econômica da União Europeia. “Estamos a virar uma página, abrindo um novo espaço de intervenção que, nas próximas décadas, permitirá consolidar o desenvolvimento da América do Sul e, ao mesmo tempo, reforçar o crescimento econômico europeu e a qualidade de vida dos cidadãos”, afirmou.

Relvas também comentou a resistência inicial de países como França, Irlanda, Hungria e Itália, que acabou sendo superada no processo final de aprovação. Para ele, esse cenário chegou a ser visto com entusiasmo pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como uma oportunidade para ampliar a influência americana na América do Sul, em meio às disputas comerciais globais.

Na sua percepção, a aprovação do acordo sinaliza que a Europa busca maior autonomia estratégica. “Independentemente da posição dos Estados Unidos, a Europa tem de ter vida própria e ser capaz de olhar para estas oportunidades, seja na América do Sul, seja em mercados como México e Canadá”, concluiu.

Fonte: Consultor Jurídico

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